20 de outubro de 2005

E era assim...

ACHAVA sempre que ela cairia em sua conversa fiada, pois sua ingenuidade ainda era pueril. Nada pode mudar de uma hora pra outra. Até que um dia, ela levantou: o pé direito, o esquerdo, coluna alinhada, a cabeça erguida. E ele se espantou em vê-la bem, sem ele.
ENTÃO começou com uma ladainha – não a emocionou. Depois veio uma cantiga – não teve resposta. Foi a vez do sermão – não acertou o alvo. Um dia lembrou de seu ar maternal – vou falar que quero morrer, a morte é o único meio para atingir o fim. E ela caiu, de patinhas. Sua queda foi para ele uma espécie de elixir revigorante, estava disponível a todos, se sentia vivo. Para ela, se vestiu de caixão cor-de-rosa com verdes funebrilhos e se fez de morto, se disse encantado.
O tombo foi feio, mas ela se levantou: o pé direito, o esquerdo, a coluna ereta e começou a caminhar. Agora já conhece todos os seus truques, suas mentiras. O encanto acabou.

3 comentários:

John disse...

Que lindo!

Leonardo Sauaia disse...

Vai tropeçar e cair de novo... Mas sabe que se quiser andar, consegue. Parabéns pelos posts.

Helô Beraldo disse...

Muchas gracias a ambos!

Já tropeçou e caiu de novo [:o)], não tem jeito... Mesmo assim consegue andar.