Há alguns dias sem vontade de falar, sem ter o que dizer, amante do silêncio.
Arrumo a casa, jogo fora 5 sacolas cheias de papel. Entre os papéis poemas, cartas, desenhos, rabiscos de letras, notícias velhas.
Resolvidas as poucas pendências, fica a abertura. É tanta liberdade e não sei o que fazer com ela. Não quero perder tempo, mas tenho de saber respeitá-lo.
O silêncio, então, me pede pra dormir. Fecho os olhos e, com a cabeça doendo, as imagens começam a aparecer em vermelho e preto:
# Vista da cidade à noite com as luzes acesas, tudo virando até ficar de ponta cabeça.
# Disco voador que emana luz vermelha, homem alado que se transforma em luz , sobe e desce transformado em raio.
# Milhares de mãos pretas com unhas vermelhas que tentam alcançar alguma coisa [sabe-se lá o quê...].
Acordo sem conseguir abrir os olhos, com dor de cabeça e a cabeça a mil. Ganho um carinho nos cabelos, um beijo, um sorriso e tento retribuir com um sorriso tranqüilo. Mas não quero falar, não quero acordar, durmo de novo. Desta vez as imagens vêm coloridas:
# Casa de tijolos pintada de branco com grandes janelas de madeira. Entro na casa e ela se divide em partes: janela-porta-parede-telhado-chão.
# Vou direto à janela e, em cada vidro, aciono botões que abrem universos ilustrados. A família, os amigos, os amores, as pessoas que passaram rápido na minha vida, quem eu queria ter conhecido e os desconhecidos.
# Na porta os sentidos, na maçaneta a memória, na fechadura o amor.
# Nas paredes cenas do cotidiano, de anos, que não devem ser esquecidas.
# No telhado um galo português indicando as direções e os ventos. Sento ao lado dele e olho para o chão. Tudo é translúcido e no chão só vejo a base: a terra cor de tijolo.
Abro os olhos mais uma vez, sem a dor na cabeça, preciso ir embora. Ganho mais carinho nos cabelos, mais beijos, mais um sorriso.
Já esse sorriso é meu e vem do sentir o que o silêncio quis me lembrar: o quanto é bom ser livre e gostar de alguém.
25 de junho de 2007
22 de junho de 2007
Sopros
O vento traz cheiro do novo, faz rodamoinho com ele e eu respiro.
vento com cheiro,
cheiro com novo,
novo com aroma,
aroma amor a.
vento com cheiro,
cheiro com novo,
novo com aroma,
aroma amor a.
11 de junho de 2007
Das cores, das vidas e da liberdade
Tanto faz se for branco, preto, roxo, amarelo, lilás ou toda a escala Pantone. Mas essa escala de cinza, esse por aí de alguns porcento de preto, não. Ausência de cor nada tem a ver com meia cor. Ou é colorido, ou não; ou é ausente, ou não. Do que eu gosto mesmo? De ouro sobre azul.
***
Saber [e aceitar] que o inesperado é o que mais acontece e que se vive andando sobre cordas bambas torna a vida viva. O tempo toma outra dimensão. Mas ligar o f***-se pra tudo o que me rodeia, sem deixar de me sentir responsável, é a coisa mais difícil que venho tentando fazer... [Ainda está nos 5% concluído [:o)]!]
***
Hoje a cidade estava mais nua, vertical, concreta e despovoada. Mais próximos dos meus olhos que habitualmente, pássaros voando em V.
***
Saber [e aceitar] que o inesperado é o que mais acontece e que se vive andando sobre cordas bambas torna a vida viva. O tempo toma outra dimensão. Mas ligar o f***-se pra tudo o que me rodeia, sem deixar de me sentir responsável, é a coisa mais difícil que venho tentando fazer... [Ainda está nos 5% concluído [:o)]!]
***
Hoje a cidade estava mais nua, vertical, concreta e despovoada. Mais próximos dos meus olhos que habitualmente, pássaros voando em V.
Os pássaros brincam, voam livres e acasalam. Seus peitos são brancos, suas asas marrons.
Pássaros de aço sinalizando ao alto que sobre as nuvens o céu é azul. Lá vem mais um daqueles de aço, lembrando os mundos que não conheço. Sobe, vira à esquerda, atravessa a nuvem.
Uma névoa sobre a cidade. Lembrança dos artifícios de ontem, que a deixaram colorida.
Vejo cinza, preto, azul e terracota. Verde bege e o crime de la crème.
1 de junho de 2007
Espelho
No congestionamento de sinais e pensamentos encontram-se velados desejos mútuos. O silêncio de um é o silêncio das partes. Com o sinal [pim-pim] descobre-se a angústia e cala. Palavras e aprendizados pra reparar os desencontros que o silêncio causa.
Azul esverdeado
O que há no mundo dos seus olhos
ora alegres, ora tristes, ora longe daqui?
Guardam mistérios, lembranças – posso ver:
olhos, memória, olhos – mundo.
O desenho do seu mundo
é único e visível apenas por quem
[embora você ria]
reconheça o raio-x do próprio olhar.
ora alegres, ora tristes, ora longe daqui?
Guardam mistérios, lembranças – posso ver:
olhos, memória, olhos – mundo.
O desenho do seu mundo
é único e visível apenas por quem
[embora você ria]
reconheça o raio-x do próprio olhar.
9 de maio de 2007
Co-incidências
Luzes, câmera, ação! Jogo de espelhos. Fiat lux. Clique.
A materialização do virtual. O conhecimento e o reconhecimento. A conversa boa, o olhar franco, o sorriso aberto. A paciência pra ouvir história repetida, a curiosidade de conhecer mais do outro. As horas fluindo como água do rio; vias de mãos duplas. A gentileza, a maturidade e o amigo simpático que chega de repente e logo vai.
Em carne e osso, dos melhores acontecimentos te conhecer, Glauco.
A materialização do virtual. O conhecimento e o reconhecimento. A conversa boa, o olhar franco, o sorriso aberto. A paciência pra ouvir história repetida, a curiosidade de conhecer mais do outro. As horas fluindo como água do rio; vias de mãos duplas. A gentileza, a maturidade e o amigo simpático que chega de repente e logo vai.
Em carne e osso, dos melhores acontecimentos te conhecer, Glauco.
3 de maio de 2007
Coisas do além
Aconteceu em uma praia, por volta das cinco horas da tarde. Após três dias de reclusão total, jovens mulheres, aproximadamente 28 anos, assistem a uma pelada na praia.
Olham pra lá, olham pra cá, aquele vai-e-vem de homens correndo atrás de uma gordinha, cena totalmente hipnotizante, a mente longe. Uma delas faz o sinal de alerta, cotovelada direita: opa! Surfista bonitão! Lançam aquele olhar 51, que pensam ser uma boa idéia.
Comentários sobre o desempenho do cidadão sobre as ondas decorreram por alguns minutos. A atenção se voltou novamente para os atletas [eram todos amigos, rs] e a gorducha. Os pensamentos das duas pareciam estar muito longe dali. De repente, cotovelada direita novamente: opa, olha lá! Esse aí é da sua tribo!
[Homem moreno, mais ou menos 30 e poucos anos, óculos de grau e segurando um livro.]
Era melhor ver de perto. Levantou, passou ao lado, checada de cima a baixo e pum! Soco no estômago! Não é possível! Pois é sim...
Foi assim que reconheci o Anônimo, em uma situação muito além da imaginação.
Olham pra lá, olham pra cá, aquele vai-e-vem de homens correndo atrás de uma gordinha, cena totalmente hipnotizante, a mente longe. Uma delas faz o sinal de alerta, cotovelada direita: opa! Surfista bonitão! Lançam aquele olhar 51, que pensam ser uma boa idéia.
Comentários sobre o desempenho do cidadão sobre as ondas decorreram por alguns minutos. A atenção se voltou novamente para os atletas [eram todos amigos, rs] e a gorducha. Os pensamentos das duas pareciam estar muito longe dali. De repente, cotovelada direita novamente: opa, olha lá! Esse aí é da sua tribo!
[Homem moreno, mais ou menos 30 e poucos anos, óculos de grau e segurando um livro.]
Era melhor ver de perto. Levantou, passou ao lado, checada de cima a baixo e pum! Soco no estômago! Não é possível! Pois é sim...
Foi assim que reconheci o Anônimo, em uma situação muito além da imaginação.
10 de abril de 2007
Tardo notícias, rs
Notícias aos que esperam pela continuação do último post, há meses: paciência é a única maneira de se obter resultados. Continuo tomando as lições de Jó, impressionante o texto sagrado!
Fora isso...
Estou viciada em Akira Kurosawa, influência direta do Anônimo. Chorei tanto naquele filme Madadayo, que vou te falar – lindo!
Retomei minhas antigas maratonas de cinema e, entre uma sessão e outra, minha bolsa deu um salto mortal triplo [ou era uma apresentação de brasileirinho?] e meu celular entrou literalmente pelo cano.
Mudei de emprego: da corporação ao corporativismo.
Ando saudosa das pessoas queridas: Andreinha, Edi, Sandra, Rô... Humpf! É, de você também [rs]!
Esse post vai ser só isso mesmo, uma fumacinha de sinal de vida. Encolhida no pouco tempo de escrever pra reiniciar nosso contato imediato de terceiro grau, mando daqui muitos cheiros de café torrado e moído na hora.
[[P.S.: Quem está na Ile-de-France lendo meu blog? Très chic! :o)]]
6 de fevereiro de 2007
Por agora
Tecla, tecla, tecla, sintoniza e despeja tudo. No papel, na tela, em espaço 10 por 1. Apita, vibra, brilha, frenético tum-tum. Mensagem, leitura, libertinagem. Arrepio na espinha, borboletas no estômago, memória.
Vai e volta, vai e volta, vai e volta. Em determinados períodos de tempo, volta, revolta e parte. Se a intensidade diminui, tenta e tenta e aumenta. Quase sempre digo dos meus espantos e apenas sorrio quando me provoca. E é assim. Toda vez. Até...
serão felizes ou tristes?, cheios de amor ou de ódio?, românticos ou selvagens?, os dias que virão?
Vai e volta, vai e volta, vai e volta. Em determinados períodos de tempo, volta, revolta e parte. Se a intensidade diminui, tenta e tenta e aumenta. Quase sempre digo dos meus espantos e apenas sorrio quando me provoca. E é assim. Toda vez. Até...
serão felizes ou tristes?, cheios de amor ou de ódio?, românticos ou selvagens?, os dias que virão?
1 de fevereiro de 2007
Tudo o que é apaixonante...
ANDO com uma vontade incontrolável de comer sagú de uva, chocolate branco com biscoitos pretos, pipoca com muita manteiga. E eu nem ligaria se um saguzinho ficasse perdido no queixo, meus dedos ficassem brancos de chocolate e minha boca estivesse com um saboroso gloss de manteiga.
COMO a casca-do-feijão-preto-da-feijoada presa no dente o dia inteiro e você rindo, rindo, rindo. Todo mundo prestou atenção na sua felicidade e esqueceu da casca-de-feijão-preto-da-feijoada [mas quando você pensa que perdeu um dente e vê o negócio preto, lamenta ter esquecido a escova de dentes [[também xinga um pouco as amigas ceguetas]] e, ao mesmo tempo, pensa que feijoada é a melhor comida do mundo].
QUER melhor alimento que aquele que traz felicidade pra todos?
...faz a gente parecer boba em algum momento, de alguma maneira...
COMO a casca-do-feijão-preto-da-feijoada presa no dente o dia inteiro e você rindo, rindo, rindo. Todo mundo prestou atenção na sua felicidade e esqueceu da casca-de-feijão-preto-da-feijoada [mas quando você pensa que perdeu um dente e vê o negócio preto, lamenta ter esquecido a escova de dentes [[também xinga um pouco as amigas ceguetas]] e, ao mesmo tempo, pensa que feijoada é a melhor comida do mundo].
QUER melhor alimento que aquele que traz felicidade pra todos?
...faz a gente parecer boba em algum momento, de alguma maneira...
4 de janeiro de 2007
31 para 1 – do tempo
à primeira vista
branco cinza azul branco areia
vermelho líquido
translúcido preto
paleta da alma
***
Das cores, dos mares, dos ventos e dos amores.
Dos começos, meios e fins.
Do finito, transitório, linha.
Do que não se pode fugir.
***
[ESCRITO DE MEMÓRIA]
1. Um pequeno depósito de incredulidade no fundo dos teus olhos.
2. Um breve estremecimento no movimento do coração (do meu coração).
3. A impressão de alguém olhando-te atrás de ti.
4. Uma voz familiar num sítio cheio de gente (que só tu ouves dentro de ti).
5. Um súbito silêncio entre as sílabas de certas palavras que fica depois a pairar perto dos lábios.
6. A ignorância de alguma coisa que ainda não sabes que não sabes.
7. Uma palavra só, aguardando, uma palavra que basta dizer ou não dizer, abrindo caminho entre ser e possibilidade.
8. O que não sou capaz de dizer dizendo-me.
9. Eu (um lugar vazio) para sempre; tu para sempre.
10. Outras duas pessoas de que outras duas pessoas se lembram.
11. Esse país estrangeiro, o tempo.
branco cinza azul branco areia
vermelho líquido
translúcido preto
paleta da alma
***
Das cores, dos mares, dos ventos e dos amores.
Dos começos, meios e fins.
Do finito, transitório, linha.
Do que não se pode fugir.
***
[ESCRITO DE MEMÓRIA]
1. Um pequeno depósito de incredulidade no fundo dos teus olhos.
2. Um breve estremecimento no movimento do coração (do meu coração).
3. A impressão de alguém olhando-te atrás de ti.
4. Uma voz familiar num sítio cheio de gente (que só tu ouves dentro de ti).
5. Um súbito silêncio entre as sílabas de certas palavras que fica depois a pairar perto dos lábios.
6. A ignorância de alguma coisa que ainda não sabes que não sabes.
7. Uma palavra só, aguardando, uma palavra que basta dizer ou não dizer, abrindo caminho entre ser e possibilidade.
8. O que não sou capaz de dizer dizendo-me.
9. Eu (um lugar vazio) para sempre; tu para sempre.
10. Outras duas pessoas de que outras duas pessoas se lembram.
11. Esse país estrangeiro, o tempo.
Manuel António Pina, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança
31 de outubro de 2006
L'arrache coeur
A cabeça segue o coração.
Meu coração bate tão rápido e se deixa levar por qualquer movimento externo que demonstre carinho, respeito. Ainda mais quando são usadas palavras, ah, aí esse coração registra e aceita sem duvidar.
E o inevitável sempre acontece: ele sai do ritmo e oscila entre desperto, acelerado, ansioso, satisfeito.
Mas quando ele pára.
o vital acaba e o cérebro continua a funcionar, desordenado, cheio, desesperançoso de retomar consciência.
Por algum motivo fazem com que meu coração volte à vida e tudo fica tranqüilo, esperançoso novamente. É só despejar letras sobre o papel e ouvir um argumento certeiro:
Meu coração bate tão rápido e se deixa levar por qualquer movimento externo que demonstre carinho, respeito. Ainda mais quando são usadas palavras, ah, aí esse coração registra e aceita sem duvidar.
E o inevitável sempre acontece: ele sai do ritmo e oscila entre desperto, acelerado, ansioso, satisfeito.
Mas quando ele pára.
o vital acaba e o cérebro continua a funcionar, desordenado, cheio, desesperançoso de retomar consciência.
Por algum motivo fazem com que meu coração volte à vida e tudo fica tranqüilo, esperançoso novamente. É só despejar letras sobre o papel e ouvir um argumento certeiro:
o corpo tem alguém como recheio.
Orelhas pra que te quero!
FUI perceber dia desses a função da sobra de pele na parte posterior de minhas orelhas externas.
O início da ramificação de duas orelhas-extras, extensões que lembram o símbolo maior do que o dicionário define como burrice e/ou credulidade.
Sim, se me encontrarem em qualquer parte, por favor, não me estranhem. Sobretudo não apontem em direção a elas.
Consultei pessoas que passaram pela mesma experiência e foi-me dito que essas orelhas regridem, caso seja tomado um remédio de recuperação de vergonha na cara.
Então, isso tem cura!
O difícil mesmo [e olhem que eu não me canso de tentar!] é conseguirque me brotem receptáculos sensíveis o bastante para afastar espíritos que brincam com o que eu tenho de melhor.
O início da ramificação de duas orelhas-extras, extensões que lembram o símbolo maior do que o dicionário define como burrice e/ou credulidade.
Sim, se me encontrarem em qualquer parte, por favor, não me estranhem. Sobretudo não apontem em direção a elas.
Consultei pessoas que passaram pela mesma experiência e foi-me dito que essas orelhas regridem, caso seja tomado um remédio de recuperação de vergonha na cara.
Então, isso tem cura!
O difícil mesmo [e olhem que eu não me canso de tentar!] é conseguirque me brotem receptáculos sensíveis o bastante para afastar espíritos que brincam com o que eu tenho de melhor.
30 de outubro de 2006
Resposta para o anônimo
Sair da cabeça pra virar palavra foi o problema.
A palavra concretiza o sentimento e o liberta. Então, travou-se todo o vocabulário.
Daí, em belo instante panquecas de frango, guaraná e Marisa Monte, despejei tudo em papel e passou.
Vou passar a limpo, mas não o sentimento. Amanhã, meu texto de orelha.
Definitivamente, as palavras são mesmo meu remédio.
A palavra concretiza o sentimento e o liberta. Então, travou-se todo o vocabulário.
Daí, em belo instante panquecas de frango, guaraná e Marisa Monte, despejei tudo em papel e passou.
Vou passar a limpo, mas não o sentimento. Amanhã, meu texto de orelha.
Definitivamente, as palavras são mesmo meu remédio.
12 de setembro de 2006
Mala e alma
das mudanças
o pai mudo
a mãe falante
as irmãs nas contas
eu
sem prestar contas
***
Meu filme de cabeceira : Tudo acontece em Elizabethtown. Quase não assisti a esse filme pelas inumeráveis críticas de amigos, etc., mas eu sou parente de 330º grau de São Tomé, tenho que ver pra crer. E aí, o resultado? Claro que adorei! [hehehe]
Falta coerência no roteiro? Seria impossível preparar um roteiro de viagem + trilha sonora em apenas um dia? Ok, ok! Mas que trilha sonora! E minha idéia de fazer algo parecido para alguém algum dia foi roubada! :o( Aquilo lá é o máximo!
A atuação do Orlando Bloom deixou a desejar? Ok! Mas prefiro pensar que ele encarnou muito bem o sujeito melancólico que está caindo na real.
[Queria ter anotado a frase final, mas fiquei com preguiça de pegar papel e caneta e tive de devolver o filme na locadora. Depois vou pesquisar e a colocarei aqui.]
Todas as ilusões, as efemeridades, o viver para a corporação e esquecer de si, os pequenos prazeres, a perda de tempo em ter medo de conhecer o outro e de tirar as máscaras de primeira... E a trilha sonora, já falei do bem que faz?
Recomendo para os sem preconceito com louvor. Para os com preconceito, recomendo também, mas com uma pitada de leitura das entrelinhas e o terceiro olho aberto.
[[Pergunta: Quem mais gosta de Tom Petty?]]
***
mandou tirar as barreiras
para não refletir nas lentes
para ver na retina, na íris, na pupila
sua alma
mandou chegar mais perto
o que atrapalhava era a distância
então viu
sem reflexo
com susto
sim, tem alma
o pai mudo
a mãe falante
as irmãs nas contas
eu
sem prestar contas
***
Meu filme de cabeceira : Tudo acontece em Elizabethtown. Quase não assisti a esse filme pelas inumeráveis críticas de amigos, etc., mas eu sou parente de 330º grau de São Tomé, tenho que ver pra crer. E aí, o resultado? Claro que adorei! [hehehe]
Falta coerência no roteiro? Seria impossível preparar um roteiro de viagem + trilha sonora em apenas um dia? Ok, ok! Mas que trilha sonora! E minha idéia de fazer algo parecido para alguém algum dia foi roubada! :o( Aquilo lá é o máximo!
A atuação do Orlando Bloom deixou a desejar? Ok! Mas prefiro pensar que ele encarnou muito bem o sujeito melancólico que está caindo na real.
[Queria ter anotado a frase final, mas fiquei com preguiça de pegar papel e caneta e tive de devolver o filme na locadora. Depois vou pesquisar e a colocarei aqui.]
Todas as ilusões, as efemeridades, o viver para a corporação e esquecer de si, os pequenos prazeres, a perda de tempo em ter medo de conhecer o outro e de tirar as máscaras de primeira... E a trilha sonora, já falei do bem que faz?
Recomendo para os sem preconceito com louvor. Para os com preconceito, recomendo também, mas com uma pitada de leitura das entrelinhas e o terceiro olho aberto.
[[Pergunta: Quem mais gosta de Tom Petty?]]
***
mandou tirar as barreiras
para não refletir nas lentes
para ver na retina, na íris, na pupila
sua alma
mandou chegar mais perto
o que atrapalhava era a distância
então viu
sem reflexo
com susto
sim, tem alma
11 de agosto de 2006
Dias raros
Ontem recebi a notícia de que havia morrido voando de asa delta.
Morreu voando, como um passarinho.
Minha avó sempre pedia a Deus pra morrer como passarinho. E morreu dormindo, depois de fazer todos os docinhos da minha festa de aniversário.
Pessoas especiais morrem como os passarinhos.
Fazia tempo que a morte de alguém não me abalava. Porque eu sempre penso no que vem depois e acredito ser bem melhor. Mas a morte repentina choca. Porque eu esperava poder enrolar mais um pouquinho para encontrar você menos cansada, sem as olheiras... Infelizmente, os clichês são certeiros: carpe diem, sempre [que possível]. Ainda bem que você seguia esse daí.
Nosso encontro fica para o não-tempo e, enquanto isso, acendo uns incensos e rezo para as almas.
Morreu voando, como um passarinho.
Minha avó sempre pedia a Deus pra morrer como passarinho. E morreu dormindo, depois de fazer todos os docinhos da minha festa de aniversário.
Pessoas especiais morrem como os passarinhos.
Fazia tempo que a morte de alguém não me abalava. Porque eu sempre penso no que vem depois e acredito ser bem melhor. Mas a morte repentina choca. Porque eu esperava poder enrolar mais um pouquinho para encontrar você menos cansada, sem as olheiras... Infelizmente, os clichês são certeiros: carpe diem, sempre [que possível]. Ainda bem que você seguia esse daí.
Nosso encontro fica para o não-tempo e, enquanto isso, acendo uns incensos e rezo para as almas.
Queria ter nascido nos anos 30, andar a pé no centro da cidade, ir ao cinema de luvas brancas, vestido de veludo verde petróleo e bolsa de mão. Com um lencinho branco, tiraria o suor da testa para fazer charme a um rapaz moreno e elegante. Num fim de tarde, pegaria o bondinho com ele e ele me acompanharia até o portão de minha casa, me beijaria a face e espararíamos as surpresas do dia seguinte.
30 de julho de 2006
Fiat lux!
O tempo começou a passar e eu perdi a conta.
Deixar as coisas fluírem, sem me preocupar com o tempo, fez muita coisa acontecer, se resolver, se enfeitar, mudar.
Muitas primeiras vezes aconteceram em dois meses: não respondi a e-mails, mensagens, chamadas telefônicas; abandonei o orkut, msn e até o blog; aprendi a dizer não ao que não gosto em todos os níveis; pensei em mim muitas vezes, no meu bem, nos meus defeitos, no que eu quero e no que eu não quero na minha vida. Nada definido nem definitivo. Tudo em constante mudança.
Nesse não-tempo, pela primeira vez consegui ser feliz por ser. E isso é especial.
***
[[Rô, muitas saudades de você! Selminha, muitas saudades de você também! Fabi, Síl e John, fiquei muito feliz de ter visto vocês na quarta! Li, que a força esteja com você! Pessoal, vocês sabem que sempre podem contar comigo. Bjos!]]
[[[Mafê, que bom saber que você persiste em ler o blog!]]]
[[[[Nesta quarta-feira voltarei a morar em minha terra praticamente natal. Talvez eu suma por mais um tempinho, mas e-mail eu consigo ver no trabalho. Qualquer coisa ou me liguem ou me escrevam. See ya!]]]]
Deixar as coisas fluírem, sem me preocupar com o tempo, fez muita coisa acontecer, se resolver, se enfeitar, mudar.
Muitas primeiras vezes aconteceram em dois meses: não respondi a e-mails, mensagens, chamadas telefônicas; abandonei o orkut, msn e até o blog; aprendi a dizer não ao que não gosto em todos os níveis; pensei em mim muitas vezes, no meu bem, nos meus defeitos, no que eu quero e no que eu não quero na minha vida. Nada definido nem definitivo. Tudo em constante mudança.
Nesse não-tempo, pela primeira vez consegui ser feliz por ser. E isso é especial.
***
[[Rô, muitas saudades de você! Selminha, muitas saudades de você também! Fabi, Síl e John, fiquei muito feliz de ter visto vocês na quarta! Li, que a força esteja com você! Pessoal, vocês sabem que sempre podem contar comigo. Bjos!]]
[[[Mafê, que bom saber que você persiste em ler o blog!]]]
[[[[Nesta quarta-feira voltarei a morar em minha terra praticamente natal. Talvez eu suma por mais um tempinho, mas e-mail eu consigo ver no trabalho. Qualquer coisa ou me liguem ou me escrevam. See ya!]]]]
23 de maio de 2006
Contabilizei
no físico:
- Cabelos brancos: 10 fios espalhados sobre o couro cabeludo.
- Horas dormidas: 5 por noite.
- Miopia + astigmatismo: 3 e meio em cada olho, em crescente para o 4.
no espiritual:
- Tempo dedicado às orações: 1 hora por dia.
- Incensos acendidos: 14 por semana.
- Tolerância encontrada [subentender: depois de perdida]: 90%.
no lingüístico:
- Metáforas: dos 50%, redução de 30%.
- Eufemismos: 65%.
- Trava-línguas: aumento de 50%.
[Tudo baseado na e adaptado da ABNT.]
no amoroso:
- Descobertas esquisitas [i. e., não tão boas]: 50%.
- Desencanamentos: 100%.
- Desafetos: 0.
- Dúvidas: 1%.
- Novidades: 0.
no temporal:
- O que passa: 80%.
- O que se prolonga: 5%.
- O que permanece: 2%.
- O que se repete: 3%.
- O que vai passar: 10%.
[[Obs.: John, ficou lindo o seu blog!]]
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