12 de abril de 2006

Há dias sonho com chão de estrelas, teto de luz, paredes de ar.
Piso, peso, deito, rolo, rio. Riso e gotas, cristais e vidros, estrelas.
Vôo, volto, vôo, vou e volto. A leveza é sustentável.
Constelação mais bonita? A Sempre-viva.
Há dias sonho com teto arco-íris, chão infinito, sopros de mar.

20 de março de 2006

José Cuervo, Jack Daniels, velho Barreiro. Mexeram tanto com a minha cabeça, tantas vezes, esses homens!
Ao passo que nossa relação ficou mais estreita, eles generosamente me encaminharam para os homens da minha vida.
Novos mentores?
****
Segundos: leve tontura, frio na barriga, o mundo mais vivo, rodando mais rápido. Minutos: imagens embaçadas, sono. Horas: amargo na boca, consciência, mal-estar. É o que dizem os manuais: com o passar do tempo, os sintomas da paixão são muito semelhantes ao da embriaguez.
***
E dizem que sou romântica.
E dizem que sorrio demais, só rio. Se não sorrio, dizem que sorrio de menos, sou séria demais.
E dizem que uso óculos, uso lentes de contato e não enxergo.
E dizem que acredito demais, insisto demais, sou teimosa demais.
E dizem que, mesmo não enxergando, vejo demais.
Eu digo e ninguém me deixa falar.

17 de março de 2006

Reprises

E é parte da história. Comédia dos erros, Divina comédia, Comédia da vida privada. Reprises.
Retomar, reviver, relembrar, repetição. Meu medo é mesmo deixar para reencarnação.
Karma, carma, calma.
E quem explica: você encontra o cara, oi, oi, tudo bem?, tudo e você? Na sua cabeça: oba, nada, ufa! Segundos depois: tremor da cabeça aos pés, perna mole, mal de Parkinson [?] e derruba a água. Porque no exato momento em que você está com dois copos d'água nas mãos, o dito cujo, que te beijou, te agarrou e nunca mais tocou no assunto, aparece. E você com dois copos d'água nas mãos.
E o tempo passa, o silêncio continua. Você já vê o cara como covarde. Bate os olhos nele: nada. O ufa, já tá passado! Ele senta à mesa, na sua frente. Nada. E você está morrendo de fome. E dá risada, pensando, nada! Pega o garfo. Seu braço vai em direção à sua boca: pára no meio do caminho. Segunda tentativa: repetição. Respiração: um, dois, três, quatro, cinco. Vamos lá! Braço travado na mesma altura, o garfo volta para o prato, você perde a fome. E como explicar o já tá passado? Como afirmar o já tá passado?
Então surge a quebra de silêncio. Porque silêncio mal resolvido é a pior espécie. Pergunta direta. Resposta curta e grossa. Falar o quê? Deixa estar. Tá chovendo muito, né? É... E na hora em que você ouve isso, ou lê, adjetiva o cara de novo e esquece.
No dia seguinte encontra o cara, bate o olho nele e não tem vontade de sorrir. Você sorri sempre, até pro cachorro sarnento da sarjeta. Dessa vez não tem vontade de sorrir, abaixa a cabeça. Olha de rabo-de -olho e vê que ele comenta alguma coisa com a amiga do lado e em seguida sorri pra você. E você retribui o sorriso, com um sorriso amarelo acompanhado de um quase-secreto vai se ferrar! E logo pensa: mas por quê? Então, o que parecia estar resolvido na sua cabeça não está. E você não se entende: sabe que não gosta do cara, mas ele mexe com você profundamente. E não é química, tesão, afinidade ideológica. É mesmo neurológico. Então é químico, fisiológico? Contraditório.
Para saber a explicação deste fenômeno, você repensa sua vida. E o que você menos quer é repensar. Não acha respostas, não vê saídas, pede ajuda superior. E eles te dizem: não temos resposta. Mas é kármico, cármico, calma, vai passar. E você aceita a explicação. Por que você não quer deixar para a próxima encarnação, quer?

15 de fevereiro de 2006

Num café

Os mais pedidos
1 café com leite e 1 coxinha creme [4 entre 4 e meia pessoas adoram esta combinação].

As mesas
Três homens, seis cervejas, três canecas, três pães de queijo e uma gérbera murcha. A mulher passa. Três cabeças viram, simultaneamente.

Os ornamentos
Em todas as mesas gérberas mortas.
Gérberas cor-de-sol não devem nunca estar mortas.
Nem enterradas em vaso cor-de-morte.

Os devaneios / Provocação
Não só o silêncio é das maiores violências, como está sempre acompanhado de uma das duas palavras [dois sentimentos]: medo ou indiferença.

30 de janeiro de 2006

Então, me digam

, por que é tão mais fácil para o ser humano, enquanto ser vivo, complicar que descomplicar?

24 de janeiro de 2006

Conversas fiadas

Conversa filosófica
A: Espero tanto que nada tenho.
Tenho tanto que nada espero.
B: O problema é o excesso.
****
Conversa de banheiro
A: Oi!
B: Não me venha com suas delicadezas.
A [pensa]: Vixi...
B: Você não tem medo que as pessoas te achem fresca?
A: Por quê?
B: Porque você é delicada.
A: Não, não tenho medo. Eu sou educada, num tenho mais jeito.
B: Dá na mesma, delicada, educada, fresca. Eu não consigo ser assim, sou grossa mesmo. Bem, tchau, boa tarde e até amanhã!
A: Hahahaa! Até!
[Que merda.]
****
Conversa entre linhas
[Depois de algumas semanas. O tempo é importante nesse caso.]
A: Ah! Agora entendi tudo!
B: Tudo o quê?
A: Você sabe o quê...
B: Não, não sei.
A: Nas entrelinhas, um quê de algo a mais...
B [questionando-se: como não tinha entendido antes?]: É verdade, você entendeu, é isso mesmo.
A [falando para B como se B fosse uma criança de 3 anos]: Então, sabe o que que é, vamos ver se você me entende: as minhas portas estão fechadas... entendeu?
B [havia entendido fazia alguns dias]: 100%, como não. Numa boa.
A: Que bom que você me entende, valeu!
B: Amigos?
A [silêncio]
B [pensando]: Câmbio, desligo.
****
Conversa matemática
A: Você acha que 30% de erro é muita coisa?
B: Depende. O que você acha de 99,9%?
****
Conversa de calçada
A: Opa! Desculpa!
B: Vai se foder!
C olha A com espanto
A [para C]: Tá vendo! Esse é o bairro dos mendigos e dos engravatados.
****
Conversa de farol
A: Queridas, vocês são lindas, verdadeiras estrelas de Hollywood! Conhecem o teatro X?
B, C e D: Não!
A: Então, é uma companhia da qual faço parte e nós precisamos de uma ajuda. Vocês poderiam contribuir com alguma coisa?
B, C e D [em uníssono]: Hihihihihhi!
A: Sabe o que vocês são? Vocês são umas filhas da puta, gente baixa mesmo!!!
B, C e D em silêncio. Abre o farol. Silêncio de mais 2 minutos.
B: Eu não sei vocês, mas eu fiquei chateada!
C: Ai, eu também!
D: Meu, que palhaço! Literalmente!
B: Pois é, a decadência mais rápida da minha vida. De estrelas de Hollywood, o luxo do lux luxo, à gente baixa mesmo em menos de 3 minutos!
B, C e D: Hahahaha!
B: Mas eu fiquei realmente chateada...

16 de janeiro de 2006

Rapina honesta

RAPINEI, com a melhor das intenções, o seguinte texto. Este foi, por sua vez, rapinado pela primeira rapinadora de um outro rapinador. As referências aparecem no fim, para não interferir no deleite das aves.

Peça Coração

Heiner Müller

Um- Posso pôr meu coração a seus pés.
Dois- Se não sujar meu chão.
Um- Meu coração é limpo.
Dois- É o que veremos.
Um- Eu não consigo tirar.
Dois- Você quer que eu ajude?
Um- Se não incomodar.
Dois- É um prazer para mim. Eu também não consigo tirar.
Um- (Chora)
Dois- Vou operar e tirar para você. Para quê que eu tenho um canivete. Vamos dar um jeito já. Trabalhar e não desesperar. Pronto – aqui está. Mas isto é um tijolo. Seu coração é um tijolo.
Um- Mas ele bate por você.

[tradução de Marcos Renaux]

[[Visitem o blog http://www.loop.blogspot.com/ e Carlito Azevedo no Portal Literal.]]

4 de janeiro de 2006

"Estamos convencidos de que um fio perpassa todas as coisas: todos os mundos estão nele enfiados, como contas: e os homens, os fatos, a vida apresentam-se a nós apenas por causa deste fio." [Emerson, Montaigne or The Skeptic]

TODAS as poucas vezes que me encantei percebi esse fio. No primeiro sorriso, aperto de mão e, principalmente, no olhar. O olhar seguido do sorriso e do aperto de mão. Os três juntos, nunca me havia acontecido. Quando menos esperava. Diferente. Surpreendente. Em câmera lenta.
******
2006 começou bem [ano par e de pares, parafraseando minha amiga Li] e vai ser ainda melhor. Para nós todos coragem, novidades, luz, paz, amor e aquilo tudo!

15 de dezembro de 2005

Imagens do dia

# Homem gritando, mostrando primeiro as canelas, depois os pés. A platéia assistia calada, com os vidros fechados. O único ser que participava era o cachorro que o acompanhava, latindo um lamento.
# Sala de estar: sofá, tapete, quadro do timão. À beira de um córrego. Há alguns dias ela não é ocupada.
# Farol, conjunto de prédios. Observando duas varandas de 1x1 m2:
*Varanda número 1: O que há de mais cruel que um São Bernardo, num calor de 28 graus, preso numa varanda menor que ele, na tentativa de alcançar seu rabo? Era impossível rodar...
*Varanda número 2: Um homem, 30 e alguns anos, de camiseta azul, mexendo em um vaso. Segundos depois, uma menininha, 2 e poucos anos, de calça rosa pink, vem atrás dele. Eles conversam. Ele entra. Ela olha ao seu redor, se vê sozinha e, com um impulso, sobe o degrau e vai atrás dele. Suas perninhas foram tão urgentes... Essa foi a imagem do dia.

1 de dezembro de 2005

Listas

Professora, cozinheira, dentista, desenhista, escritora, farmacêutica, química, astrônoma, escritora, médica, cineasta, musicista, matemática, nadadora, botânica, barista.
Católica, espírita, budista, n. d. a.
Discos do Menudo, o começo da mtv e as conversas ao telefone quando eu ligava pra votar no New Kids on the Block [ué, todo mundo tem um passado que o condena!]; Rick Astley ["never gonna give/ never gonna give/ give you up", rs]; decifrar o significado da música "eu fui da mamãe/ fui dar um serão extra..." aos 26 anos [hahaha!]; descobrir o jazz sozinha e gostar do Frank Sinatra; letras de música românticas, ingênuas e que falem do cotidiano; George Gershwin, Cole Porter, Tom Jobim, Vinícius e Nando Reis.
Chuva de granizo seguida de arco-íris; cheiro de terra molhada; cheiro de grama cortada; jaboticabeira, amoreira, pitangueira; mês de novembro para comer ingá; leite de vaca tirado na hora com açúcar e canela; verão na piscina da tia ou do prédio; usar calça de moletom sem se achar feia e nem sequer cogitar a hipótese de vestir uma calça jeans; o céu estrelado e Vênus se sobressaindo; caça aos vaga-lumes; lagartas virando borboletas; morangos silvestres.
Sair do cinema: sorrindo, chorando, pensando; não conseguir sair do cinema: sair de si. Filmes de arte, dos mais delicados aos mais pesados; comédias românticas das mais óbvias às mais óbvias, mas que sempre mantêm a esperança [já que a vida não deixa de ser um clichê]; filmes de ação pra matar o tempo; suspenses pra matar de susto; terror pra não dormir à noite.
Danças com os meninos nos bailinhos da escola; menos timidez e mais namorados; amores intensos, verdadeiros ou falsos; frios na barriga e terremotos internos; cara-de-pau; ter beijado o Teco** pra não ficar pensando a vida inteira como teria sido; ter beijado outras pessoas também; namorados mais românticos; receber flores de meninos [amigas, valeu pela intenção! :o)]; mais gentilezas e menos brutalidade.
Álbuns de fotos organizados e bonitos; mais fotos; os amigos e as amigas da infância, adolescência e de agora, todos juntos; inimigos explícitos; faro-fino pra não entrar em furadas; entrar em furadas e sair delas com arranhões; menos arranhões e mais carinho [tem hora que cansa...]; menos paciência e também menos ansiedade; mais contradições; menos insegurança; derrubada do muro de Herlim [rs, essa foi fraca...]; perceber o coração aberto, com a porta escancarada.
**[esclarecimento da ambigüidade: nunca o beijei; foi meu amor platônico da adolescência e isso a gente nunca esquece! ;o)]
***
Música linda quando cantada por Chet Baker.
"There are those who can leave love or take it / Love to them is just what they make it / I wish that I were the same / But love is my fav'rite game.../ I fall in love too easily / I fall in love too fast / I fall in love too terribly hard / For love to ever last / My heart should be well-schooled / 'Cause I've been fooled in the past / And still I fall in love too easily / I fall in love too fast"
[:o)!!!!]

25 de novembro de 2005

lero-lero

LI o livro do Cacaso, Lero-lero. Uma beleza, de verdade. Um tom de ternura e esperança colore todos os poemas, apesar de às vezes ser preciso um certo otimismo pra enxergá-lo.
UM poema de um livro de 1978, olhem só:
Relógio quebrado [para Helô]
Não sei parar na hora
Certa
[RS] Existe a tal dessa hora?
E para todos, amigas e amigos, deixo alguns poemas que me fizeram lembrar de vocês e de mim e até mesmo de quem eu não conheço.
Happy end
O meu amor e eu
nascemos um pro outro
agora só falta quem nos apresente
Estilos trocados
Meu futuro amor passeia – literalmente – nos
píncaros daquela nuvem.
Mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.
Fotonovela
Quando você quis eu não quis
Qdo eu quis você ñ quis
Pensando mal quase q fui
Feliz
Constatando
era verdade
os urubus passeiam mesmo entre
os girassóis

14 de novembro de 2005

"Meu maior defeito é a esperança"

E a Clarice Lispector quase sempre tem razão.
MEU inferno astral se adiantou em um mês, sem aviso-prévio.
HOUVE pessoas, combinadas com algumas situações, que despertaram o meu pior. Confissão importante para a evolução do meu ser: me utilizei de alguns palavrões que faziam parte do meu vocabulário secreto e, vejam bem, a pessoa nem se ofendeu, eu é que me ofendi por ela. Percebi até um certo orgulho [da referida pessoa] em me ouvir proferindo lindas qualidades ou caminhos tortuosos a serem percorridos. [Já é muito normal ofender com palavrões...]
E DEPOIS tive que ouvir que eu não sei lidar com o meu lado Darth Vader. Olha, vai se f#@&*%! Hahahaha! E duvido que essa pessoa algum dia tenha assistido ao Star Wars, duvido!
BOM, este post serve para eu me desculpar aos amigos pela minha ausência, falta de assunto e paciência. Daqui a poucos dias, o E.T. que se apossou de minha carcaça vai voltar pra casa dele e eu estarei de volta, versão melhorada de mim, livre de bugs.
E ESSA é a proclamação da minha república, muito mais liberal! [se é que você me entende, rs]

3 de novembro de 2005

Elementar

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ADOREI, por isso divido com vocês a HQ que o Glauco, dono do blog Dois pontos e dois traços [que eu adoro e que está linkado aí do lado], desenhou da história do velhinho malandro [rs].



[[Glauco, era pra ficar assim mesmo? Obrigada pela ajuda, hehe. Bjo!]]

20 de outubro de 2005

E era assim...

ACHAVA sempre que ela cairia em sua conversa fiada, pois sua ingenuidade ainda era pueril. Nada pode mudar de uma hora pra outra. Até que um dia, ela levantou: o pé direito, o esquerdo, coluna alinhada, a cabeça erguida. E ele se espantou em vê-la bem, sem ele.
ENTÃO começou com uma ladainha – não a emocionou. Depois veio uma cantiga – não teve resposta. Foi a vez do sermão – não acertou o alvo. Um dia lembrou de seu ar maternal – vou falar que quero morrer, a morte é o único meio para atingir o fim. E ela caiu, de patinhas. Sua queda foi para ele uma espécie de elixir revigorante, estava disponível a todos, se sentia vivo. Para ela, se vestiu de caixão cor-de-rosa com verdes funebrilhos e se fez de morto, se disse encantado.
O tombo foi feio, mas ela se levantou: o pé direito, o esquerdo, a coluna ereta e começou a caminhar. Agora já conhece todos os seus truques, suas mentiras. O encanto acabou.

19 de outubro de 2005

TEM coisas que a gente acha que nunca vai acontecer com a gente. Relato aqui um diálogo entre mim e um senhor na Rua 13 de maio, às 7h00 da manhã.
ELE: "Bom dia, vamos atravessar a rua juntos?"
EU: "Claro! O senhor quer ajuda?"
ELE: "Sim, esse lugar é um pouco perigoso para atravessar sozinho. As pessoas viram aqui como umas loucas, né?"
EU: "É verdade! Então vamos."
[E ele pegou no meu braço]
ELE: "Onde você mora?"
EU: "Ih, eu moro longe, no Morumbi!"
ELE: "E o que você veio fazer aqui?"
EU: "Trabalhar."
ELE: "Ah, que bom. Olha, eu moro logo ali, do lado do prédio que você trabalha. Quer conhecer o meu apartamento?"
EU: "Ahn?!" [com cara de poucos amigos]
ELE: "Calma, eu moro sozinho!"
EU [com a mesma cara de poucos amigos e nem um pouco calma]: "Não, muito obrigada!"
ELE: "Mas eu só quero te ajudar, de verdade! Se você quiser comer ou até mesmo dormir na minha casa, não tem problema! Você tem idade para ser minha filha [neta]! Na verdade, eu tenho uma filha [neta] da sua idade!"
EU: "Muito obrigada pela atenção, preocupação e generosidade, mas preciso entrar."
ELE: "Se precisar de alguma coisa, moro no 42. Meu nome é Sherlock, e o seu?" [com um aperto de mão]
EU: "Watson. Bom dia pro senhor."
ELE: "Pra você também, Watson!"
[Essa história é totalmente verídica. :) pra não :*]
PRIMEIRO os ipês amarelos. Tapetes de flores cobriam o caminho durante toda a primavera. Caminhos dourados, que logo foram se tornando marrons. Oxidaram.
AGORA os ipês roxos. Como postes, a cada 25 metros da cidade. Releitura do velho caminho, sem lacunas. Contramão dos sentidos, sensações, sentimentos. Não mudam de cor: se decompõem.

16 de outubro de 2005

Sobre o ser intelectual [moderno]

ALGUMAS constatações sobre a intelectualidade [moderna]:
1) Cachorro? Que cachorro que nada! Gatos, gatos e mais gatos! O melhor amigo dos intelectuais é o gato.
Porque: Cachorros são muito carentes e querem sempre chamar atenção. A luta de egos se torna grande demais.
2) Baladas. Você achava que baladas pertenciam ao universo patriciniano e mauriciano. Ledo engano. Detalhe importante: não são quaisquer baladas. São aquelas regadas a vísqui, música eletrônica e drogas alternativas; não por gosto, mas por ser cool. Ou um revival anos 80, num lugar bem out: nada melhor para lembrar do quão simples um dia foram. Luxo total!
Porque: A música eletrônica misturada com bebida e às vezes com outra coisa fazem com que se tenha uma experiência diferente de esquecimento do eu. Isso já foi feito com absinto e papoula em épocas remotas [rs]. Quer mais in que um revival?
3) Botecos. O ambiente do boteco é cool por si só: baratas, poeira e, se bobear, um ratinho cinza ou uma ratazana. O garçon já é seu maior confidente e o ovo rosa sua melhor refeição.
Porque: Ótimo ambiente para sentir que os grandes pensamentos [e pensadores] podem sobreviver neste mundo simples. Garante uma levantada no ego e histórias de dor de barriga [ou sobrevivência].
4) Tosco. O adjetivo que o intelectual mais usa é tosco. Mas só para qualificar o próximo.
Porque: Deve haver uma sonoridade especial nesta palavra. Não há qualidade mais vil que esta.
5) Depressão. Primeiro foi a tuberculose, que parecia atacar somente os intelectuais, mas na verdade tinha neles seu alvo mais evidenciado. Neste século, a depressão ataca dez entre dez intelectuais. Não há doença mais moderna.
Porque: Se não há depressão, não há consciência do mundo, nem de si. Ou seja: condição sine qua non para ser um ser humano pensante.
BRINCADEIRAS à parte, não é fácil ser intelectual [e moderno].

21 de setembro de 2005

No meio-tempo

FORAM embora as grades da janela: 20 linhas verticais cortadas, simetricamente, por um cilindro horizontal. Liberdade do mundo interno, agora integrado ao mundo e a todo mundo. O fim da ordem, a visita ao caos, ao humano, à vida.

14 de setembro de 2005

Cinema, oba!

PESSOAS queridas:
ESQUECI de avisá-las de uma sessão de cinema promovida pela Aliança Francesa, que acontecerá domingo, às 9h30 [da manhã], no Cineclube Vitrine [antigo Directv, na Galeria Vitrine. vocês podem entrar ou pela Rua Augusta ou pela Haddok Lobo; fica entre a Estados Unidos e a Tietê. tá confuso isso, né? :o)].
CINEMA francês contemporâneo e um café da manhã antes do dito cujo. É sempre muito divertido! Se o filme não for lá grandes coisas, o café é bom! Estarei, certamente, lá! Preparem-se para fazer a escolha de Sofia, pois, de dois filmes, vocês só poderão ver um :o(!
VIVE le cinéma! Vive le café pour se réveiller! [rs] Maiores combinações por e-mail! Bisous!

Falta pouco...

O ANO já está quase acabando. Faltam menos de 3 meses para o meu aniversário. [do Anônimo também...] Faço, então, um pré-balanço [totalmente subjetivo] deste ano, levando em conta a série de aprendizados que abstraí dos cursos que freqüentei [todos eles relatados em post anterior] e as muitas coisas que espero que ainda aconteçam nesse finalzinho de tempo.
[] Sabem aqueles malucos que entram na sua vida sem pedir licença, você os recebe de braços abertos e, num belo dia, percebe que eles acham que tomam conta da sua vida? [e tomaram mesmo!] Ponto positivo para mim: mandei todos plantarem coquinho no meio da estrada [ok, ok, ok! meu vocabulário pesado não consegue entrar em ação...]

[] O mundo virtual, um dia tão puro e inocente para os meus olhos, virou uma capa de invisibilidade à la Harry Potter para os mais covardes. Ponto negativo para a banalização dos sentimentos; para o fim de relacionamentos via msn [para quem achava que terminar por telefone era a pior coisa que poderia acontecer...]; para o moderno jogo Detetive! [três vivas para o Cel. Mostarda, na biblioteca, com o candelabro! "Viva! Viva! Viva!"]

[] Tudo tem um lado bom e outro ruim, é claro. O mundo virtual me apresentou e fez com que eu tivesse notícias de muita gente legal. Além disso, ele faz eu me mostrar de uma maneira que só quem me conhece mesmo conhecia. Ponto positivo para os analistas de sistemas, programadores e etc.! [Anônimo, cpf por e-mail, por favor! rs]

[] Ponto positivo para o aprendizado contínuo e diário! Descobertas interiores; mudança de hábitos; faxina na vida.

[] Ponto positivo para a coragem de mudar, mesmo que o processo seja feito com a ajuda de um conta-gotas.

[] Yoga e meditação, incensos e cristais: unidos venceremos! [rs]

[]... MUITAS coisas para pôr na balança! Vou completando esse post aos poucos, o trabalho me espera!

[[Campanha "Quem é o Anônimo" entra em ação hoje. Se você é tão curiosa(o) quanto eu, escreva um apelo nos comments para que esta pessoa tão legal e inteligente se sensibilize e compartilhe sua verdadeira identidade conosco, hehehe!]]

[[[Anônimo, recebo em média 3 e-mails por dia de pessoas que me perguntam quem é você! Ajude-me a mudar as respostas, estão muito negativas! Hahaha! ;o)]]]